Entrevista para a Elle France
12 de Fevereiro de 2013

Emma foi capa da revista Elle France na edição de Março, podem ler a entrevista que ela deu à revista abaixo:

Elle: Participaste na criação da nova linha In Love. Podes-nos dizer uma palavra rápida sobre isso?
EW: Eu uso muita maquilhagem durante o trabalho e um pouco na minha vida diária. Eu queria cores suaves, um batom colorido, um blush cor-de-rosa para a minha pele pálida, um spray matificante que me permitisse evitar o pó … Algo suave, algo que ficasse como eu.

Elle: Pelo contrário, no próximo filme de Sofia Coppola, The Bling Ring, tu interpretas uma jovem de Los Angeles, que usa muita maquilhagem!
EW: Sim, eles colocaram-me um bronzeado falso e tudo! Eu tive que usar Uggs, um sutiã push-up e joggings Juicy Couture. Nós conseguíamos ver as alças do meu sutiã, o que eu odeio, e eu até tive aulas de pole dance … Fiquei horrorizada! Mas foi divertido ser uma menina má. Na vida real, eu realmente não tenho espaço para isso.

Elle: Estar à vontade com a ideia de que se recusares um papel, outro virá, é a chave para o equilíbrio?
EW: Absolutamente! É verdade que é terrível recusar coisas, mas tens que estar confiante e saber as tuas prioridades, porque se disseres sim a tudo, no fim isso realmente não significa nada, tu não estás realmente empenhada em alguma coisa, e tu não preservas o que é mais importante: tempo e espaço para a tua vida pessoal, para cuidar de ti mesmo. Se não fizeres isso, as coisas vão cair muito rapidamente. Este negócio pode comer a tua alma se não prestares atenção, então deves ir devagar. O que tu vais dar nunca será o suficiente, então só podes fazer o teu melhor sabendo que o público e os diretores vão sempre querer mais.

Elle: Quais são as tuas prioridades?
EW: Ter tempo para ter a minha própria vida. Quando estou a filmar, eu muito facilmente trabalho 14 horas por dia, e no fim de semana eu descanso  Fazer filmes após filmes sem interrupção é perigoso. Pouco a pouco, esqueces-te da vida diária, fechas-te longe, negligencias a tua vida social, perdes o contato com tua família. Isolas-te, e quanto mais tempo passa, mais difícil é parar de trabalhar porque estás com medo do vazio. O que fazer do teu tempo livre, quando tudo parar? Eu estou muito consciente disso, eu presto atenção para não chegar ao ponto em que eu vou ter medo de parar de filmar.

Elle: Quando se é uma atriz, não pede muito esforço para se manter em contacto com a realidade?
EW: Terrivelmente! Se não uma das razões de porque eu queria ir para a universidade. Como vou intrepertar alguém que vai para a lavandaria ou que apanha o autocarro se não tenho ideia de como é a vida fora do set? Eu estou a fazer filmes desde que eu tinha 9 anos. Todos os dias eu luto para caminhar ao invés de ir de carro, para ir buscar um copo de água por mim mesma, para fazer isto ou aquilo por mim mesma. As pessoas querem envolver-te em bubble wrap. Tu és uma mercadoria no final, e eles querem manter-te agradável e acolhedora, onde eles podem te ver e onde nada pode te acontecer, com fácil acesso, se eles precisarem de ti para trabalhar. Quando tu percebes isso, tu tens que te defender e dizer: “Eu percebo que faz a tua vida mais fácil, mas faz-me viver a minha através de um vidro à prova de balas.” Portanto, como uma adolescente, se eu fui rebelde, era para me recusar a ser tratada como uma boneca de porcelana. É bom ser considerada como uma pessoa real.

Elle: A literatura fez-te ter novas experiências?
EW: Sim! Obviamente, eu li muitos scripts e livros. Eu amo Just Kids por Patti Smith, estou a terminar de ler Norwegian Wood por Murakami. Eu amo poetas, William Blake, por exemplo, mas também contos filosóficos como O Profeta de Khalil Gibran. Às vezes eu viajo tanto que eu já não sei o que é, que dia da semana é ou em qual país estamos. Tens de encontrar uma maneira de voltar para baixo. Então eu leio, e tento meditar. Foi muito difícil no início, todo o meu ser estava a resistir, eu mal conseguia ficar parada dois minutos sem sentir a necessidade de fazer alguma coisa – ler, ouvir música, distrair-me, de uma forma ou de outra. Mas tem sido algo realmente para mim que valeu definitivamente a pena.

Elle: Stephen Chbosky, o diretor de The Perks Of Being A Wallflower, disse à Elle dos EUA que sentiu que o sucesso deu-te algum tipo de profundidade, mas também um pouco de solidão. Percebes porque é que ele viu isso em ti?
EW: Sim, o sucesso pode isolar-te terrivelmente. As pessoas vêem-te como diferente deles, não humano de certa forma. Enquanto crescia, não foi fácil. Na escola, todos nós queremos ser como toda a gente, então tudo o que tu faz ser diferente é difícil falar sobre isso. Quando eu era mais nova, eu sonhava em me misturar, para passar despercebida. E então, ao crescer, aprendi a apreciar a minha singularidade e é esta fama que me permite escolher trabalhar em filmes incríveis.

Elle: És uma estrela de cinema ou uma atriz?
EW: É engraçado, eu não me reconheço na expressão “estrela de cinema”. Eu gosto mais quando destacamos o que fazemos ao invés da nossa fama, por isso prefiro que as pessoas falem sobre mim como atriz, com certeza.

Crédito

Publicado por: Mariana Lopes
Categorias: Emma, Revistas
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